A cancha reta é mais do que um trilho estendido na raia. É chão batido de história, suor e respeito.
É ali, no coração da cancha, que o homem e o cavalo se entendem no olhar, no ajustes do selim e no silêncio antes da largada.
A magia começa bem antes da corrida. Está no trato do cavalo, na ração bem medida, no descanso certo, no casco revisado, e no pelo escovado com carinho.
Cada detalhe conta, porque quem corre cancha reta sabe: o cavalo sente tudo, e só dá o seu melhor quando confia em quem o prepara.
No dia da prova, o clima muda. A ansiedade aumenta, as conversas são baixas, e o respeito é grande, embora nunca possa ser maior do que a confiança em tudo que foi feito.
O joquei se ajeita no lombo do seu parceiro, confere as rédeas, e pede proteção.
Na largada, é só coração batendo forte, poeira levantando, e o som dos torcedores tentando dar ainda mais confiança aos protagonistas da festa.
Em poucos segundos, vem a glória ou a lição. A vitória é comemorada com aperto de mão, gritos de euforia, orgulho, e gratidão ao cavalo.
A derrota, se aceita com humildade, vira aprendizado pra próxima. Porque na cancha reta não se perde — se ganha experiência.
E assim segue a tradição, passada de pai para filho, de amigo para amigo, de coração para coração.
A magia da cancha reta está nisso: no preparo, na coragem, na parceria entre homem e cavalo e no respeito pelos adversários, seja no triunfo ou na derrota
Enfim, que venha 2026, que venha o GP Turfe Gaúcho, e que todos os envolvidos entendam o significado dessa que é considerada a mais tradicional prova de cancha reta do País.
Arno Rangel Altermann foi uma das figuras mais lendárias e vitoriosas do turfe no Rio Grande do Sul. Ele é amplamente reconhecido como um dos maiores treinadores de cavalos de corrida da história do Jockey Club do Rio Grande do Sul.
Arno Altermann ficou conhecido como o "Rei do Turfe Gaúcho" devido ao seu sucesso impressionante na prova mais tradicional da região para cavalos jovens (potros potrancas de 2 anos). Ele detém um recorde difícil de ser superado, tendo treinado diversos vencedores da mais cobiçada prova de cancha reta do Brasil.
No de 1969, quando foi disputada a 1ª edição, o mago venceu com o craque EL FLETE, sendo que na década seguinte venceu em 1972 com LINDA YEGUA, 1973 com MISS ARAXÁ, 1976 com GAMBARDELA, 1977 com HAMESE, e em 1979 com FLAVIÃO.
No ano de 1980, o GP Turfe Gaúcho contou com duas edições, e adivinhem quem venceu? ele mesmo, Arno preparou REVLESS e SO BLUE, fechando oito conquistas.
Arno Altermann era chamado também de o "bruxo" do turfe, haja vista que muitos atribuiam suas vitórias a uma espécie de pacto com forças ocultas, uma vez que ele usava uma corrente com um pingente em formato de diabo. Entre tantas histórias e/ou estórias, tem que diga que em uma ocasião chegou a tocar fogo no próprio corpo para depois mergulhar na piscina de sua mansão.
Ainda que pairem dúvidas em relação a veracidade desses relatos, uma coisa é a mais pura verdade, Arno Altermann foi, e sempre será o REI DO GP TURFE GAÚCHO.