Infelizmente, não é possível voltarmos no tempo e revivermos a época em que o turfe brasileiro era recheado de hipódromos. Na bem da verdade, o turfe foi o único esporte que diminuiu de tamanho com a modernidade.
Talvez tenha sido pelo fato de que nossos Jockeys Clubes se mantiveram no formato de "clube" mesmo, sempre dependendo de uma ou de outra boa alma para levar adiante a atividade.
Muitas vezes, escutamos nas rodas de conversas que os dirigentes são despreparados; alguns vão mais longe e os chamam de mal intencionados. Ocorre que essas pessoas que se propõe a presidir as entidades turfisticas são chefes de familia e possuem uma vida profissional, e que, obviamente, precisam se dedicar a isso, mas, ainda assim, muitas vezes acabam abrindo mão de encontros familiares e profissionais para se dedicarem ao clube, situação irrelevante para quem olha de fora, mas dolorida para quem enfrenta.
Quem acompanha futebol vivencia algo semelhante: poucos são os clubes que conseguem se manter com suas próprias receitas, tendo muitos já migrado para o modelo de SAF (sociedade anônima de futebol). E vejam que os clubes de futebol, em sua maioria, possuem um elevado número de sócios contribuintes, enquanto que, no turfe (com exceção do JCB), não entra uma moeda por parte dos associados, sem falar dos milhões de reais que os times recebem de direitos de televisão.
Aqui, no Rio Grande do Sul, é possível afirmar que "um único presidente" depenou a galinha dos ovos de ouro, deixando para os demais a dificíl tarefa de subsistir. Presidir um Jockey Clube, nos dias de hoje, beira a insanidade, pois é notória a falta de apoio governamental, e, se antes a concorrência das "loterias" já havia afastado muitos apostadores (única fonte de renda de um clube de corridas), a chegada das 'Bets" arrastou o resto quase todo, sobrando para nós apenas aqueles que realmente amam nosso esporte e que seguem fazendo sua fezinha.
Certamente, alguns, ao ler essa matéria, vão dizer: mas o Jockey Clube do Rio Grande do Sul tem uma fortuna em sua conta em decorrência da monetização de um patrimônio, e nem assim aumenta prêmios e etc....
Agora, pedimos que essas pessoas pensem como gestores, que se coloquem na posição dos mandatários, e, para isso, podemos usar exemplos clássicos. Para não citarmos nomes, procure lembrar de algum jogador de futebol ou um cantor famoso que ganhavam milhões no seu dia a dia e que hoje vivem em condições precárias em relação ao seu passado recente.
Tenho certeza de que todo mundo lembrou de algúem, e é nesse sentido que existe aquela máxima na vida da gente: "o dinheiro não aceita desaforo". De que adiante viver como rico por alguns anos e depois amargar a aflição de estar sempre devendo?
Se alguém não identificou ou não lembrou de algum jogador de futebol que gastou além dos seus ganhos, vamos usar o exemplo do turfe do mesmo: "quantos proprietários de cavalos" conhecemos que se perderam financeiramente?
Toda essa reflexão só vai fazer sentido se cada leitor imaginar que o turfe ainda pode prosperar, que ainda podemos viver bons momentos no futuro, mas, para que isso possa acontecer, precisamos viver um presente de acordo com a realidade, ou alguém acha que, se o JCRGS dobrasse os valores de seus prêmios, o problema estaria resolvido?
Podem ter certeza de que essa não é a solução. Obviamente, teríamos, de imediato, aumento no número de cavalos em nossa vila hípica, e páreos mais robustos, mas isso acabaria refletindo em um dos demais hipódromos, haja vista que o público (proprietários) são os mesmos.
A concorrência do turfe não pode ser de um Jockey Clube contra outro Jockey Clube; muito pelo contrário, todos precisam caminhar de mãos dadas com intuíto de fortalecer o produto.
Ser presidente de um Jockey Clube não é muito diferente da vida pessoal de cada um, obviamente todo mundo almeja melhorar de vida. Quem de nós não gostaria de jantar em um bom restaurante com sua família todos os dias? Ou de viajar e conhecer lugares lindos?
Nossos mandatários também sonham em proporcionar um número maior de corridas, oferecer um valor maior nos prêmios, mas a bem da verdade é que não se faz um omelete sem quebrar os ovos.
O caminho que esta sendo traçado é com esse objetivo, buscar através de eventos "extra turfe" furar a bolha....se não podemos concorrer com o marketing das casas esportivas, vamos usar desses artifícios para mostrar para a sociedade que ainda existem corridas de cavalos em nossos hipódromos, torcendo que através disso possa ocorrer a tão sonhada renovação de público.
Para finalizar, cabe a cada um dos profissionais do turfe, a cada prorietário e criador de cavalos PSI, acreditar nos presidenciáveis, pois eles além de carregar consigo o sonho de todos turfistas, ainda precisam estipular e executar regramentos, algo que na maioria das vezes é a parte mais difícil de todas, haja vista que antes de serem "presidentes", são seres humanos dotados de sentimentos, mas que na posse do cargo precisam fazer seguir o rito estipulado pelo Código Nacional de Corridas, bem como pelo estatuto de seus respectivos Jockey Clubes.
Vida longa ao TURFE BRASILEIRO !!!!






